foto de Joana providência

JOANA
PROVIDÊNCIA

CAUSA / EFEITO

2000

Recorte de jornal do espectáculo Causa-Efeito
DANÇAR EM VOZ ALTA

Sete actores que dançam pum palco ocupado por duas mesas, cadeiras uma corda pendurada e pilhas de jornais. Sete actores que não pretendem ser personagens. Apenas intérpretes. A história é para ser "construída por quem assiste", uma espécie de entrega de matéria-prima em bruto que o público poderá moldar como entender. Chama-se "Causa/Efeito" e não é só dança ou só teatro, é um espectáculo de Joana Providência, que hoje tem a sua estreia no Porto, no Teatro Rivoli.

Primeiro foi "Zzzap", no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, em 1999, peça com que a coreógrafa iniciava uma nova experiência sobre o palco apostando num "processo de trabalho fundamentado na subjectividade". Agora chegou a vez de "Causa/Efeito". O caminho escolhido por Joana Providência marca um encontro duma linguagem dos corpos numa dança a que se chama contemporânea com as palavras ditas em voz alta. Um casamento entre o teatro e a dança celebrado com uma festa de sentidos. Unem-se diferentes linguagens: o texto, o movimento, o som, o vídeo, a luz, para procurar um "local de convergência de questões sobre a existência, o pensamento, o estar deslocado e o modo como as situações interagem e se contaminam pela proximidade espacial e temporal ou por resíduos deixados na memória". As palavras são de António Pseudónimo, responsável pelos textos incluídos no projecto "Causa/Efeito" e que também participou em "Zzzap". Assim, para o autor das palavras libertadas pelos sete intérpretes de "Causa/Efeito", a assistência não deve esperar "um espectáculo de dança convencional, com bailarinos, ou um teatro convencional, com actores".

O produto resume-se a "um projecto de reflexão". Ou, como referiu ao PÚBLICO Maria do Céu Ribeiro, da companhia de teatro As Boas Raparigas, e que entegra o elenco, "a história é construída por quem assiste".

A actriz acrescenta que "tudo o que veio ter ao palco partiu de propostas simples de Joana Providência". E aqui a simplicidade ganha uma dimensão complexa quando se refere que o desafio da coreógrafa se baseou no pedido de comunicações sobre conceitos tão vastos e subjectivos como o infinito, a vida, o poder ou o amor. Para Maria do Céu Ribeiro, o resultado final é "um espectáculo que nos fala da vida, do caminhar, coisas latas e abrangentes".

Os sons escolhidos para "Causa/Efeito" por Luís Aly constroem uma peça "aparentemente serena", mas que, para o íntimo dos espectadores, poderá surgir "agitada" dia a intérprete, acrescentando que a "riqueza do trabalho está precisamente no que é individual e único em cada pessoa".

Andreia Cunha Freitas

Direcção → Joana Providência

Texto → Helena Nogueira

Cenário → Cláudia Armanda

Desenho de luz → José Carlos Gomes

Desenho de som → Luís Aly

Figurinos → Ana Luena

Intérpretes e co-criadores → Anabela Sousa, António Júlio, Diogo Lopes, Luciano Amarelo, Margarida Fernandes, Maria do céu Ribeiro, Sérgio Praia

Co-produção → Joana Providência, CulturPorto, Rivoli Teatro Municipal, As Boas Raparigas...

Webdesign: Francisca Maia